Cascata de São Nicolau.

Após acordar, continuei com o trabalho para o meu primo, e assim que tive uma aberta, resolvi caminhar um pouco e fazer umas fotografias que já tinha andado a preparar. Também ainda me faltavam duas embalagens de chocolate Corallo, que não havia comprado na semana passada por não ter euros que chegassem comigo. Nunca ando com o dinheiro todo comigo. Posso calhar a perder a carteira ou algo assim e depois estou feito ao bife.

Junto ao mercado há um supermercado que vende chocolates do Corallo.
Passei pelo parque Silva Sebastião, que foi construído pelo meu avô e os seus irmãos David e José, pelo Cinema e segui para a marginal. Fui tirando fotografias, e lá cheguei ao centro da cidade. No mercado tirei algumas fotos mais incógnito, pois nem toda a gente aqui gosta de ser fotografada. De qualquer maneira, eu estava mais interessado nos edifícios e não tanto nas pessoas. Passei os dois mercados e mais à frente subi uma rua para fotografar uma coisa que havia visto na semana passada. Igreja Mistérios Carismático Renascimento do Escolhido de Deus. Eu se tentasse sair com um nome destes, não conseguia. Já no ano passado havia falado sobre a força da religião em São Tomé e Príncipe e da quantidade absolutamente anormal de seitas e igrejas que por aqui há. É mesmo impressionante. Mas esta tinha que ficar resgistada. De regresso comprei os chocolates e segui para casa. Era quase hora de almoçar.

Após o almoço, fui ao Passante tomar café, e encontrava-se lá um grupo de pessoal conhecido, o Luis Miguel, o Jorge e mais malta que já tinha visto com eles. Sentei-me, apresentei-me, e ficou combinada uma futebolada para as dezoito e trinta no IDF. IDF é Instituto Diocesiano de Formação, e fica perto do quartel. A malta lá seguiu toda para os seus trabalhos e eu aproveitei para ir um pouco ao Miramar tratar dos emails.

Voltei a casa para deixar o computador e pegar na máquina fotográfica, e segui para o centro da cidade de novo. Levei também dois sacos com livros e camisolas que trouxe para entregar na Fundação da Criança e da Juventude. Após entregar as coisas, fui até à praça da independência fazer mais umas fotografias. Edifício do antigo Banco Nacional Ultramarino, onde o meu pai trabalhou, Farmácia Epifânio, e meti-me em direcção ao mercado.

Junto à esquina da Pereira Duarte, estava eu a observar algo que pudesse resgistar, e um senhor aí dos seus setenta anos, olhava para mim intrigado, até que disse “mebeba, mebeba”. Mebeba era o que chamavam ao meu avô, Sebastião, que também era conhecido como Sebastião das Barbas ou Manel das Barbas ( daí o mebeba ). Beba quer dizer barba em dialecto. Como eu conhecia a palavra, dirigi-me aos senhor e perguntei-lhe se conhecia o meu avô. “Se conheço o seu avô?” respondeu “o seu avô é que fez os passeios todos da cidade de São Tomé, e foi ele que construiu isto tudo. No tempo do seu avô esta era a cidade mais bonita do mundo, agora, está tudo partido, tudo estragado”. Era o senhor Mário Beirão. Despedi-me com o compromisso de ainda voltar a visitá-lo antes de me ir embora.

Apetecia-me era um gelado. Fui à Gelidoxi, comprei um cone com bola de amendoim e outra que tinha por nome, tropical, que devia ser uma mistura de frutos. Levei também dois bolos para lanchar em casa. Após chegar a casa passei as fotos do cartão da máquina para o computador, e preparei-me para a peladinha.

Fui o primeiro a chegar ao IDF e pouco depois começou a chegar o resto do pessoal. Tivemos que pular o portão, pois alguém do IDF se esqueceu de o destrancar, já tinha ido embora e mais ninguém tinha chave. Há cinco anos que não jogava à bola, e desde os tempos em que me podia chamar de jogador de futebol, passaram vinte kilos. Ainda fiz ali duas ou três coisas interessante, incluindo uma queda que deve ter sido épica, mas que felizmente, por ter sabido cair, não fez grandes estragos. Apenas riscou o cromado. Fiz o resto do jogo à baliza e ainda mandei lá duas ou três defesas dignas de registo. O resultado a tirar deste início de noite desportivo, foi que amanhã vão-me doer os parafusos todos.

O jantar demorou um pouco, pois houve uma falha de electricidade. Com uma vela e a lanterna do telemóvel lá preparamos as coisas e jantei. Segui depois para o Cacau, onde a malta que vai tocar amanhã ia ensaiar.

Convidaram-me a entrar e fizemos lá uns improvisos, acabando por preparar algo minimamente estruturado. Tinha umas coisas de trabalho a tratar, e saí mais cedo que eles para passar no Miramar. Por volta da meia noite o Miguel apanhou-me lá e ainda fomos até ao Pierre, que é um barzito no primeiro andar de uma casa colonial muito castiça. Bebemos umas cervejas e fizemos lá mais umas jam sessions, combinamos as coisas para a noite e vim para casa. Uma noite mal dormida e um jogo de futebol, aliados a umas cervejas, e já estava mais a dormir que acordado. Amanhã há mais.