Estátua João de Santarém.

A recuperar da viagem, dormi bem, e acordei por volta das nove horas, o que em São Tomé é bastante tarde. Aqui a vida começa com o nascer do sol. Após um bom pequeno almoço, meti a mochila com a máquina fotográfica e as lentes às costas e segui para a rua. Segui em direção ao mar, até ao “arruinado” Cluve Náutico, e com o oceano do meu lado direito caminhei até ao forte que hoje é o museu nacional.

Fotografei as estátuas dos navegadores portugueses que descobriram São Tomé, João de Santarém e Pero Escobar. A terceira estátua é de João de Paiva, o povoador das ilhas. Já havia feito estas fotos no ano passado, mas uma vez que faço da minha vida uma aprendizagem constante, acho que tenho mais competências agora na arte de fotografar. De certeza que na próxima vez que cá voltar, irei fazer estas fotos de novo.

Um pouco mais à frente, perto da alfândega, meti-me para a esquerda e fui à Cacau. Não estava lá o João Carlos Silva, mas entreguei uma encomenda que trazia da United Photo Press a um representante local deles. Ficou contente com o curso de fotografia em DVD, umas fitas e umas pilhas recarregáveis para a sua máquina fotográfica.

Voltei à marginal, e segui pelo passeio rumo ao centro da cidade. À medida que me aproximava, aumentava também a movimentação, as pessoas, vendedores ambulantes, candongueiros, os táxis amarelos e os motoqueiros, o barulho e a azáfama. Os prédios estão cada vez mais devolutos, com os rés-do-chão ocupados com pequeno comércio que vende de quase tudo. Import Export, barba e cabelo, mercado, correios, carregamentos de telemóvel, lojas dos chineses, talhos, mas tudo numa confusão organizada. Aqui e ali ouvia comentários às minhas tatuagens, despertava a curiosidade de quem me via passar. Já junto ao mercado vi algo que me pareceu familiar. Ao ver aquele verde e preto veio-me logo à memória aquela música horrível da publicidade do Pingo Doce, mas até não engana, tirando as cores e o logotipo aldrabado, duvido que este Pingo Doxi seja algum franchising, será mais um aproveitamento. Olhei para dentro e é mais uma loja como todas as outras aqui, com produtos de todo o tipo amontoados em prateleiras improvisadas. Do outro lado da bomba de gasolina está a Gelidoxi, gelataria onde já havia estado ontem. Desta vez a dona Elisabete estava, e entreguei os cumprimentos que a minha avó e as minhas tias mandaram, trocamos alguma conversa e no final foram-me dados a provar todos os sabores da gelataria. Sape-sape, jaca, manga, iogurte com framboesa, caramelo, pistachio, amendoim, etc. Comprei um gelado de manga e sape-sape e despedi-me.

Segui de volta rumo a casa, desta vez por dentro. Passei junto à Sé e fui sempre em frente, Pensão Avenida, e mais à frente cortei à esquerda e fui até à biblioteca. A casa do meu primo fica na rua por detrás da biblioteca, e há uma pequena passagem. Nesta zona, como fica perto o Liceu Nacional, há adolescentes por todo o lado, com as suas fardas, que cá são obrigatórias até ao final do secundário.

Após o almoço, fiquei a tratar as fotos, e depois fui até ao Pirata. Aproveitei que as mesas estavam postas, e tirei mais fotos. Como levei o tripé, fiz umas longas exposições, e aproveitei para descer até à praia e experimentar a minha GoPro dentro de água. Lembrei-me que não trouxe os calções de banho, e apenas molhei as pernas, mas desfrutei um pouco daquela água morna e ainda por lá fiquei um bom bocado.

Quando saímos de lá, já a tarde ia longa, e fomos buscar Ricardo à escola. Depois seguimos para o mercado, pois amanhã vão ter um jantar para quarenta pessoas no Pirata, e há muitas compras para fazer. No resto do dia pouco mais se passou. Ainda fui com o Hamilton ao Pirata, passei pelo Miramar para ir um pouco à internet, reservar os lugares no barco de Ponta Baleia para o Ilhéu das Rolas. Sábado vamos ao Ilhéu. O resto da noite foi passado a ver televisão, conversar e quando já se fazia tarde, toda a gente foi dormir.

Os cães da vizinha incomodam um pouco com o seu ladrar, e não é muito fácil adormecer assim. Começou a trovejar e a chover bem. E os cães a ladrar.