Navio encalhado na Praia de Micoló.

Nem todos os dias tenho coisas interessantes para relatar, nem sempre visito lugares dignos de registo ou tenho relatos que valham a pena. O facto é que as minhas férias aproximam-se vertiginosamente do seu final, e ainda cá estou e já tenho saudades de São Tomé.

Apesar do sol nascer cedo, e com o calor ser difícil ficar a dormir até tarde, tenho acordado sempre um pouco tarde. Aproveitei o facto de já ser meio da manhã para tratar de algo que é inevitável, e não deixando para o último dia, fui à STP fazer a confirmação da reserva para o voo de terça feira. Check-in das quatro e meia às seis e meia da manhã. Pouco depois de almoço já estarei em Lisboa.

Mas cada coisa a seu tempo. Voltei para casa e esperei pelo almoço. Havia planeado com a minha tia Carmo um passeio à Lagoa Azul, um pouco de praia para a parte da tarde. Mas o Hamilton tem cá visitas da Guiné Equatorial, e não foi almoçar a casa, logo não deu para combinar para me deixar o carro. E de qualquer maneira choveu bastante na parte da tarde. O que não seria em si um impedimento para fazer praia. Até porque com esta temperatura, é até mesmo agradável fazer praia com chuva.

Dormi ao final da tarde, tomei banho e como o Hamilton me havia deixado a chave da carrinha, lá fui para O Pirata. Tinha decidido jantar lá. Há algum tempo que não comia um bife na pedra, e ia aproveitar para provar o do Pirata, acompanhado de banana frita e arroz. Entretanto o Hamilton chegou, e convidou-me a juntar-me a ele e aos amigos da Guiné Equatorial. Mandou vir uma garrafa de vinho, a que me coube a honra de provar e aprovar, não sendo eu um apreciador de vinho. Após o jantar, um crepe com gelado de baunilha e calda de chocolate.

Hoje é dia de Happy Hour no Pirata, e eu aproveitei para fazer umas fotos. À medida que o pessoal ia chegando e a casa se ia compondo, já ia dando para fazer umas fotos melhores. O problema da pouca luz e da movimentação das pessoas, é que além de ter que usar ISO elevado, não há hipótese senão recorrer ao flash. Não tendo um flash de jeito, e usando o que vem incorporado na máquina, tem as suas óbvias desvantagens. A pior das quais, quando uso a Sigma 10-20 que o Fernando Quintino Estevão me emprestou, é que a objectiva faz sombra devido ao ângulo que o flash dispara. Resultado, uma mancha redonda na parte de baixo das fotografias.

Bem, temos que viver com o que temos. Entretanto, a casa já estava cheia, e já eu tinha quase umas cem fotografias, entre pessoas que desviavam a cara quando viam a objectiva, ou outras que mostravam cara de poucos amigos, já tinha material suficiente, e resolvi ficar pelo que já tinha. Discotecas não são bem o meu ambiente, e mesmo sendo O Pirata um espaço ao ar livre, eu estava um pouco como peixe fora de água.

As mulheres santomenses são mesmo muito bonitas, mas a ideia com que fiquei, e que já me tinha vindo da semana anterior, é que nesta festa o balanço deveria estar algo como uma mulher por cada seis ou sete manos. Não sendo bem a festa da mangueira, também não anda muito longe. Ao sair, reparei que estava muita gente para entrar, e alguma confusão com carros estacionados na estrada quase até ao Hotel Pestana.

Tentei dormir cedo, mas a ideia que tenho é que deveriam ser umas três da manhã a última vez que olhei as horas no telemóvel e ainda não tinha adormecido. Estar um galo a cantar desde a meia noite e meia, e os cães a ladrar, também não foi ajuda, e esta noite até um gato resolveu miar até à exaustão num qualquer quintal vizinho.

Ah, e descobri uma coisa que me irrita mais ainda do que uma picada de mosquito nos pés. Picadas ( sim, no plural ) de mosquito nos dedos das mãos são do pior que pode acontecer a alguém.