Praia Lagarto. Entre a cidade de São Tomé e o aeroporto.

O melhor mesmo é explicar como tudo isto acabou por acontecer.
Eu nasci em São Tomé e Príncipe em 1972. Em 1974, com o 25 de Abril, a minha família regressou a Portugal ( o meu pai não veio logo, e num projecto de escrita que estou a preparar vou contar um pouco dessa história ). A ligação a São Tomé sempre esteve presente ao longo da minha vida, quer pelos laços familiares, quer pelos amigos do meu pai e todas as histórias que se contavam a acompanhar almoços, jantares ou petiscos.

Pelos mais variados motivos, durante muitos e muitos anos, nunca se proporcionou uma viagem para conhecer a terra onde nasci, mesmo em 2002, quando a minha irmã ( que nasceu em Portugal ), o meu irmão Celso e o meu pai foram uma semana a São Tomé, devido a trabalho e outros impedimentos, eu fiquei por Portugal.

Existiram sempre outras prioridades, até que cheguei ao final de 2011, e de repente, senti uma vontade enorme de conhecer aquelas ilhas de que tanto ouvi falar, e de que havia apenas visto fotografias deslumbrantes. De repente, passou a ser a prioridade número um.

Após marcar a viagem, e à medida que a data se aproximava, cada vez que dava conta a amigos e conhecidos da minha ansiedade por voltar quase quarenta anos depois, à terra que me viu nascer, começaram a surgir pedidos para que registasse e contasse tudo o que iria ver e viver.

O que começou como um simples diário, uma pequena descrição de paisagens, cores, cheiros, pessoas e lugares, passou a ter dia após dia mais vistantes e comentários positivos, e acabou por se tornar praticamente um trabalho.

Quando regressei a Portugal, e a pedido de algumas pessoas, organizei tudo o que tinha escrito, e surgiu a ideia de fazer algo mais a sério, entre a literatura de viagem, fotografia e, até, história. Tinha, no entanto, necessidade de mais material, pelo que todo o trabalho ficou guardado.

Em Janeiro de 2013 regressei a São Tomé, e retomei a escrita dos diários, tendo desta vez ido um pouco mais longe, relatando episódios da juventude do meu pai e estórias do passado das ilhas. Acabou por me permitir organizar melhor o meu trabalho, e, também, perceber melhor aquilo que lhe falta para ficar completo.

Há alguns episódios vividos pelo meu pai, e dos quais pouca gente sabe alguma coisa e muitos esqueceram, que lançam alguma luz sobre o passado recente da história de Portugal e de São Tomé e Príncipe, do 25 de Abril à independência.

Faltam-me também visitas à Ilha do Príncipe e a algumas comunidades de São Tomé, falta-me visitar o pico e fazer a caminhada entre Santa Catarina e Porto Alegre, faltam-me alguma pesquisa sobre a história de São Tomé, as roças, o folclore e os mitos e lendas das suas gentes.
Para já, e uma vez contextualizados, vou mostrar aqui os diários que escrevi este ano, que vão servir de base a uma grande parte do trabalho que tenho para concretizar.

Perdoem alguns erros ortográficos e de síntaxe, alguns typos e alguns assuntos sobre os quais ainda tenho que aprofundar a pesquisa.